Guia nutricional prático para o cuidado da imunidade!

Outono: temporada das infecções respiratórias!
Com a chegada do outono, aumenta a preocupação em relação ao maior risco de infecções respiratórias, principalmente, pela redução das temperaturas, da umidade do ar e piora dos poluentes, crescendo a susceptibilidade das pessoas a resfriados, gripes e até outros quadros mais graves, como a COVID-19, além de quadros alérgicos.

O estilo de vida e a imunidade
A pandemia do novo coronavírus evidenciou a importância do cuidado com a imunidade e, além disso, demonstrou como o estilo de vida pode impactar na homeostase imunológica. Isso porque a maior parte da mortalidade por COVID-19 ocorreu em pessoas que têm uma ou mais doenças crônicas, como obesidade, hipertensão e diabetes, assim como já é observado para outras infecções respiratórias que afetam diretamente o sistema imunológico.

Cada vez mais está se tornando claro que essas e muitas outras doenças têm mais em comum do que o esperado, visto que compartilham mecanismos biológicos semelhantes e são fortemente afetadas pelas escolhas de estilo de vida, tanto para o melhor quanto para o pior, inclusive relacionadas à nutrição. Até porque o manejo nutricional é de suma importância na imunomodulação. Pensando nisso, o time de especialistas da Naiak separou um guia nutricional prático para favorecer o cuidado integrado e o funcionamento imunológico!

6 estratégias nutricionais e de estilo de vida para potencializar a imunidade:

1. Modulação do estresse: sabe-se que o estresse é capaz de desregular o sistema imunológico humoral e celular, levando a uma alteração da resposta imune e aumentando o risco a infecções. Inclusive o estresse mental ainda se associa a uma redução da produção de anticorpos após a aplicação de vacina contra o Influenza, conforme apontado por Seiler, Fagundes e Christian (2015). Por isso, é importante incluir estratégias que auxiliam na modulação do estresse na rotina, com uma alimentação que contribua para a síntese de serotonina, GABA e dopamina, através, por exemplo, do consumo de chocolate amargo (>70% cacau), castanhas, semente de abóbora e leguminosas e chás calmantes (camomila e melissa), bem como atividades relaxantes na rotina.

Sono de qualidade: o sono desempenha um papel único na manutenção da imunidade, sendo, que quando se tem uma má qualidade, isso se associa diretamente à redução da resposta das vacinas e ao aumento da vulnerabilidade a infecções, uma vez que leva a alteração da secreção de citocinas pró-inflamatórias e na proliferação e diferenciação de linfócitos. Por isso, para ter uma boa noite de sono e, consequentemente, melhorar a resposta imunológica, é importante manter uma rotina de horários para acordar e dormir, praticar atividades relaxantes antes de deitar, como leitura ou meditação, e até incluir chás calmantes (melissa e camomila) e consumir kiwi na ceia, que atuam na melhora da qualidade do sono.

Imunomodulação via exercício físico: o exercício físico afeta diretamente o imunometabolismo das células de defesa, atuando na função e diferenciação destas. Ainda, Silveira et al. (2020) evidenciam que durante e após o exercício, são liberadas citocinas pró e anti-inflamatórias, há aumento da circulação linfocitária e o recrutamento celular e a prática regular do exercício físico associam-se a menor incidência, intensidade de sintomas e mortalidade por infecções virais. Por isso, é de suma importância a prática regular de algum esporte, musculação e/ou caminhada.

Melhorar a saúde intestinal: o microbioma intestinal desempenha um papel fundamental na função imunológica, já que o intestino é um importante local de atividade imunológica e produção de proteínas antimicrobianas, além do fato de ser o lugar de maior absorção dos micronutrientes imunomoduladores. A nutrição é uma importante moduladora dos micro-organismos presentes nesta comunidade, sendo que uma alimentação rica em cereais integrais, hortaliças, frutas e leguminosas apoia as fibras do crescimento e a manutenção de micro-organismos benéficos. Ainda, a inclusão de bebidas fermentadas, como kefir e kombucha, é uma outra forma de potencializar a saúde intestinal. A redução do consumo de carne vermelha e produtos ultraprocessados também é importante para a manutenção da barreira intestinal.

Suplementar própolis verde: produzida a partir da resina do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), uma planta nativa do cerrado brasileiro, a esta substância tem-se associado benefícios imunomoduladores, podendo ser um potencial tratamento complementar e alternativo no controle de infecções ou outras patologias, promovendo maior eficácia do sistema imunológico. A literatura científica demonstra atividade bactericida e antiviral da própolis. Ainda, um recente estudo conduzido por Silveira et al. (2021) demonstrou que a suplementação com própolis verde associada ao tratamento padrão de pacientes internados com Covid-19, proporcionou menor tempo de internação, menor injúria renal e tendência de redução de uso de terapia com oxigênio invasiva.

Adequar o consumo de nutrientes imunomoduladores: atualmente, a deficiência de micronutrientes é considerada um problema de saúde pública global, inclusive no Brasil e pensar em promover a função imunológica é sinônimo de ajustar os níveis corporais destes nutrientes, como zinco, selênio, vitaminas C, D e E, de forma a melhorar a eficiência do sistema imunológico, já que atuam em diferentes aspectos relacionados a este. Ainda, além do ajuste via consumo de alimentos fontes, a suplementação desses nutrientes é indicada como aliada na imunocompetência.

REFERÊNCIAS

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