Ervas e especiarias no combate à COVID-19!

Vivemos a pior pandemia dos últimos 100 anos. Segundo dados atualizados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o dia 3 de maio, foram confirmados 3.349.786 casos de COVID-19 no mundo, com um total de 238.628 mortes, desafiando os sistemas de saúde mundiais.

Pelo fato do novo coronavírus ainda não possuir um tratamento específico e vacina é importante utilizar estratégias que fortaleçam o sistema imunológico. E é por isso que a nutrição se torna uma grande aliada, visto que diversos nutrientes são essenciais para garantir seu funcionamento adequado no combate efetivo a diversas infecções por patógenos.

Além disso, alguns compostos bioativos presentes nos alimentos podem agregar benefícios extras nessa defesa, inclusive, contra o novo coronavírus. Um estudo recente, conduzido por Khaerunnisa et al. (2020), demonstrou como algumas substâncias presentes em ervas e especiarias, algumas já descritas na literatura com poder antiviral, também poderiam ser capazes de inativar a protease principal (Mpro) ou protease do tipo quimotripsina (3CLpro) da COVID-19.

A Mpro da COVID-19 é essencial para a maturação proteolítica do vírus e vem sendo examinada como um possível alvo terapêutico para impedir a disseminação da infecção, inibindo a clivagem da poliproteína do vírus e, assim, sua replicação. Medicamentos como nelfinavir e lopinavir são inibidores de protease com alto poder citotóxico contra células infectadas; ritonavir e também o lopinavir são inibidores de protease recomendados para o tratamento da SARS e MERS.

Os autores utilizaram o nelfinavir e lopinavir como padrões de medicamentos para comparação com os compostos bioativos, através de análise utilizando dados computacionais. Foram investigados o kaempferol, a quercetina, a luteolina-7-glucosídeo, adesmetoxicurcumina, a naringenina, apigenina-7-glucosídeo, oleuropeína, curcumina, catequina, epicatequina-galato, zingerol, gingerol e alicina como potenciais candidatos a inibidores da Mpro da COVID-19.

A alta afinidade dos compostos dos medicamentos depende do tipo e da quantidade de ligações que ocorrem com o sítio ativo da proteína do vírus. E, assim, é o que se espera observar em relação aos compostos. E, como resultado do estudo, algumas das substâncias encontradas em plantas tiveram resultados farmacóforos semelhante ao nelfinavir, que é um medicamento que já vem sendo estudado in vitro contra a COVID-19. Ou seja, alguns compostos se ligam ao sítio ativo da proteína viral.

Os pesquisadores concluíram que kaempferol, quercetina, luteolina-7-glucosídeo, apigenina-7- glucosídeo, naringenina, oleuropeína, desmetoxicurcumina, curcumina, catequina e epigalocatequina foram os compostos encontrados em plantas medicinais com maior potencial de inibição da Mpro da COVID-19, que devem ser mais explorados em pesquisas futuras. Veja na tabela a seguir onde encontrar esses compostos para que sejam inclusos na alimentação e, assim, propiciar muito mais do que sabor e saúde.

Compostos Bioativos
Alimentos nos quais são encontrados
– Kaempferol
Endro, repolho, espinafre
– Quercetina
Cebola, endro, maçã, orégano, pimenta (Capsicum annum)
– Luteolina-7-glucosídeo
Azeitona, azeite, carambola, pimenta, cebolinha
– Apigenina-7- glucosídeo
Carambola, gojiberry, salsão, azeitona, azeite
– Naringenina
Frutas cítricas
– Oleuropeína
Azeitona, azeite
– Desmetoxicurcumina e curcumina
Cúrcuma
– Catequina e epigalocatequina
Chá-verde

 

Referências

OMS, Organização Mundial da Saúde. Folha informativa – COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus). Disponível em: <https://www.paho.org/bra/>. Acesso em: 04 maio 2020.

KHAERUNNISA, S. Potential Inhibitor of COVID-19 Main Protease (Mpro) from Several Medicinal Plant Compounds by Molecular Docking Study. Preprint, 2020.

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